Agências baianas avançam no uso de tecnologias e IA
“Ferramentas de IA impulsionam a criatividade, otimizam processos e fortalecem o branding, mas não devem perder a conexão humana”
A tecnologia e a Inteligência Artificial foram alguns dos temas de destaque do Enapro 2025 – De Humanos para Humanos, realizado pelo Sinapro-Bahia em outubro. O evento, que contou com a participação de grandes nomes do mercado local e nacional, evidenciou como essas ferramentas podem impulsionar a criatividade, otimizar processos e fortalecer o branding, mas sem perder o foco na conexão humana.
O uso da Inteligência Artificial tem se consolidado como uma prática cada vez mais comum nas agências de propaganda, ao mesmo tempo que avançam na criação de novas áreas e competências ligadas à tecnologia, como Automação, Dados e Business Intelligence.
Para trazer mais informações sobre o tema, apresento alguns dados da nova edição da pesquisa VanPro, realizada pelo Ecossistema SINAPRO/FENAPRO desde 2017, que tem como principal objetivo medir e mapear o cenário atual e as perspectivas para o futuro, além de conhecer os principais desafios dos sócios e executivos de agências de todo o país.
A pesquisa atual foi feita com 229 agências de 20 Estados e do Distrito Federal. Em parceria com o Sinapro-Bahia, a VanPro também foi aplicada nas agências associa das na Bahia, e a seguir apresento os principais resultados.
A VanPro mostra que, nas agências baianas, o uso da IA é quase unânime, seja por meio de equipes dedicadas, seja pela difusão de competências em diferentes áreas. Quase todas as agências já recorrem a essa tecnologia, especial mente nas áreas de criação, digital, planejamento e atendimento. Seu uso é mais tímido apenas em funções de suporte, como o setor financeiro e a produção.
Do lado dos clientes, a maioria das agências ainda não tem um posicionamento formal sobre o uso de IA em campanhas (70%); 21% aprovam o seu uso sem restrições; e 9% associam o seu uso a uma política de compliance.
Além da adoção crescente das tecnologias, o cenário aponta para um movimento de amadurecimento do mercado, no qual o desafio deixa de ser apenas implementar ferra mentas e passa a ser integrá-las de forma estratégica ao modelo de negócio. A Inteligência Artificial, nesse contexto, assume um papel transversal, exigindo governança, critérios claros de uso e alinhamento com os valores das agências e de seus clientes. Mais do que acelerar entregas, a IA amplia a capacidade analítica, apoia decisões e libera o tempo das equipes para atividades de maior valor intelectual e criativo. O diferencial competitivo passa a estar menos na tecnologia em si e mais na forma como ela é utilizada, combinando eficiência, responsabilidade e visão de longo prazo.
Sobre a atuação em dados, a pesquisa apontou que a presença de profissionais dedicados a essa área ainda não é majoritária. Apenas 17% das agências têm equipes ou pessoas dedicadas exclusiva mente a essa função. Com mais frequência, as agências têm uma (25%) ou duas pessoas (50%) atuando na área; 25% citaram que chegam a ter três profissionais.
As funções de digital e audiovisual foram fortalecidas nas agências locais. Também foram mencionadas iniciativas ligadas à consultoria, à criação de hubs de conteúdo e núcleos de equidade racial.
No resultado geral Brasil, há menções ainda a analytics avançado, BI e ciência de dados, e a expectativa de reforço em planejamento estratégico e inteligência de mercado. Funções ligadas à gestão de comunidades, relacionamento digital e social listening são citadas, bem como novas competências em SEO/SEM, inbound marketing, produção de podcasts e experiências imersivas.
Sobre o perfil das agências baianas participantes, todas operam como full service. No foco de atendimento, 65% não distinguem entre clientes públicos ou privados; 30% concentram-se somente no setor privado; e 4% somente no setor público.
Mais da metade das agências existe há mais de 21 anos, e apenas 8% têm entre seis e 10 anos de atividade. Já com relação ao tamanho das equipes, 47% pos suem entre 11 e 40 pessoas; 8% possuem de 40 a 80 pessoas; e nos extremos, 13% têm equipes de até cinco pessoas; e 4% com mais de 80 pessoas na equipe.