De Vitória da Conquista às salas do Centro Europeu
“Os circuitos de consagração social são tanto mais eficazes quanto maior a distância do objeto consagrado”, escreveu Pierre Bourdieu.
Jesus disse algo semelhante: “Nenhum profeta é aceito em sua própria terra”.
Essas duas frases ecoavam na minha mente quando decidi sair do mercado publicitário da Bahia e buscar novos desafios em Curitiba. Não foi uma fuga, mas um passo consciente para ampliar horizontes e testar até onde a criatividade baiana poderia chegar.
Sou eternamente grato ao nosso mercado. Foi na Bahia que conheci meus mestres, mentores e amigos que marcaram minha trajetória. Mas percebi que, para evoluir, precisava viver novas experiências e encarar outros níveis de exigência, não por falta de talento local, mas porque acreditava que o intercâmbio de culturas e práticas poderia me transformar como profissional.
Na primeira vez que visitei Curitiba, o “frio” que senti não veio do clima, afinal, baiano de Vitória da Conquista eu já conhecia temperaturas baixas. Foi um frio diferente: no comportamento das pessoas, nas peças publicitárias, nas campanhas e no próprio mercado de comunicação. Com o tempo, percebi que aquilo que muitos interpretam como distanciamento é, na verdade, timidez combinada com uma paixão intensa pelo trabalho bem-feito. O curitibano é competitivo igual ao soteropolitano em dia de BA VI na fonte nova ou no barradão.
No Sul, existe um ditado: “Se você abrir um negócio em Curitiba e der certo, pode replicá-lo em qualquer lugar”. Eu vivi isso na prática. O alto nível de exigência local não é barreira, é laboratório. E é nesse ambiente que aceitei meu novo desafio: ser professor do curso de Marketing Digital no Centro Europeu, um dos maiores e mais respeitados centros de ensino do país.
Depois de dois anos conciliando palestras e workshops na Bahia com minha vida em Curitiba, sinto que este é o momento de levar o nosso “jeitinho” criativo para o Sul e mostrar como o marketing baiano, aliado a metodologias internacionais, pode gerar resultados extraordinários.
Sinto falta do meu cuscuz e da farinha de mandioca no feijão, mas sei que minha missão de expandir o marketing baiano pelo Brasil e pelo mundo vale cada saudade. Mais do que uma mudança de cidade, essa é uma mudança de visão: nossa criatividade não tem fronteiras, desde que a gente tenha coragem de atravessá-las.
Lázaro Bat