Sinais do Futuro #8 — Fragilidades de Sistemas Complexos
Pistas, incertezas, possibilidades. Um olhar curioso para o que pode (ou não) acontecer. Sinais do Futuro traz indícios de possíveis mudanças que podem gerar múltiplos cenários futuros que impactarão nossas vidas.
O quão frágil é a infraestrutura digital?
Estamos cada vez mais dependentes de sistemas eletrônicos e isso pode trazer efeitos negativos claros. Uma falha no sistema de nuvem da Amazon gerou pane em diversos sistemas no mundo todo, de pequenos negócios a grandes empresas.
No Reino Unido, uma empresa com 158 anos e mais de 700 funcionários encerrou suas atividades após sofrer um ataque hacker. Os hackers cobraram mais de 3 milhões de libras para devolver as operações.
O que pode acontecer:
- Uma falha em um único provedor pode paralisar ecossistemas inteiros de negócios simultaneamente. Empresas lucrativas podem quebrar por serem repentinamente desligadas.
- Dados podem se perder ou ficar inacessíveis por semanas, afetando faturamento, cobranças e até gerando disputas jurídicas.
- Rotinas que mantenham materiais e dados críticos em ambientes offline podem se tornar essenciais.
Questões críticas:
- Qual é o plano da sua empresa se ficar algum sistema fora do ar? Em quanto tempo e de que forma ela voltaria à operação?
- Sua empresa consegue armazenar dados importantes mantendo baixa exposição ou operar dependendo pouco de outros sistemas eletrônicos?
- Qual o custo de uma hora de paralisação total da empresa? O seu investimento em cibersegurança é proporcional a esse número?
Sustentabilidade como valor?
A cultura da sustentabilidade parece estar cada vez mais consolidada. Nos EUA e Canadá, 37% dos consumidores já desistiram de comprar um produto por achar que era uma embalagem pouco sustentável. Na Europa, esse número é 42%.
Entre viajantes, 84% consideram a sustentabilidade importante. Isso está mudando até mesmo a forma como hotéis oferecem o café da manhã, com vários estabelecimentos, inclusive os de alto luxo, saindo do formato buffet para o serviço à la carte.
O que pode acontecer:
- Modelos de negócio baseados na abundância visual, como buffets instagramáveis ou fast fashion podem enfrentar uma crise de imagem.
- Implementação de sistemas de pesagem de resíduos se espalhando e metas públicas de redução de desperdício.
- Processos e multas por alegações vagas de sustentabilidade, com certificações reconhecidamente sérias ganhando valor.
Questões críticas:
- Como provar alegações ambientais e blindar a marca de greenwashing?
- Como manter o nível de experiência reduzindo desperdícios?
- Existe algum ponto do seu negócio que pode virar alvo de pressão do consumidor por maior sustentabilidade?
A IA e a nova destruição criativa
A “Destruição Criativa” de Schumpeter, conceito que fundamentou o Nobel de Economia deste ano, é a lente ideal para analisar os efeitos atuais da Inteligência Artificial. A inovação derruba estruturas antigas para criar novas, o que gera instabilidade e desemprego no curto prazo, mas pode trazer compensação robusta no futuro.
Enquanto as incertezas dominam o cenário atual, executivos do Goldman Sachs alertam que os cortes atuais misturam ciclos econômicos normais com mudanças estruturais, reforçando que não há motivo para desespero, pois novos empregos inevitavelmente surgirão.
O que pode acontecer:
- Curva em J: queda ou estagnação no curto seguida de ganhos quando processos forem redesenhados.
- Tarefas antigas sumirão mais rápido do que as novas surgirão, criando meses ou anos de desalinhamento entre oferta e demanda.
- Setores repetitivos encolhem. Crescem funções ligadas a dados, supervisão de IA e, principalmente, criatividade e empatia.
Questões críticas:
- Se a IA eliminar as funções de entrada (onde os juniores aprendem), como sua empresa formará a próxima geração de gestores?
- Quais habilidades específicas aceleram a migração da força de trabalho do “velho” para o “novo”?
- Como gerenciar a pressão pela destruição de custos no curto prazo sem matar o investimento na criação de longo prazo?
Influência regulada?
O poder de influência das redes chama cada vez mais atenção, sendo utilizado como arma política para tentativas golpistas e veículo de propagação de ideias e protestos (muitos deles bem sucedidos).
Com isso, cresce também a busca das pessoas em se tornarem influenciadores: existe até escola para influencers no Brasil. No entanto, também cresce a pressão para que haja responsabilização pelo que é dito por esses profissionais. Na China, tornou-se obrigatório ter credenciais para falar sobre certos temas.
O que pode acontecer:
- O setor pode se dividir: influenciadores de entretenimento, com baixa regulação, e influenciadores de autoridade, tratados com o mesmo rigor de veículos de imprensa.
- Marcas podem evitar associação a humanos por medo de responsabilização jurídica, preferindo avatares de IA totalmente controláveis.
- O medo de responsabilização legal pode gerar autocensura. O conteúdo, mesmo de lifestyle, pode se tornar roteirizado, matando a autenticidade e originalidade que fez esse mercado surgir.
Questões críticas:
- Ao contratar um influenciador o seu processo de verificação se baseia apenas em engajamento e “fit” de imagem ou já inclui análise de risco?
- Quais as ameaças (e oportunidades) para o seu negócio se houver um grande aumento na regulação de mídias sociais e influenciadores?
- Como trabalhar as diferenças entre opinião, recomendação e aconselhamento?